segunda-feira, dezembro 7

Latino-americanos 'são os mais preocupados com aquecimento', diz pesquisa da BBC

Para analista da BBC, resultados de pesquisa estão 'em linha' com outras
Os latino-americanos se disseram os mais preocupados com o aquecimento global, em uma pesquisa da BBC realizada com 24 mil pessoas em 23 países.

No levantamento, feito pela empresa GlobeScan, 86% dos chilenos e brasileiros disseram considerar a mudança climática “um problema muito sério”.

A diferença é que, enquanto 2% dos brasileiros consideram que este não é “em absoluto um problema sério”, essa resposta não chegou a pontuar entre os chilenos.

Na região, costarriquenhos (83%) e mexicanos (81%) deram sequência à lista. Fora da América Latina, este nível de preocupação só foi demonstrado nas Filipinas (83%) e na Turquia (81%).

Já nos dois países que lideram o ranking das emissões de gases que causam o efeito estufa, China e Estados Unidos, a seriedade do problema foi considerada menor.

Na China, 57% dos entrevistados disseram que a mudança climática é “um problema muito sério”, e essa resposta foi a escolha de apenas 45% dos americanos.

Os EUA são também o país onde mais entrevistados consideram que as mudanças do clima “não são em absoluto um problema sério” – 12%.

Mais preocupados
Chile - 86%
Brasil - 86%
Costa Rica - 83%
Filipinas - 83%
México - 81%
Turquia - 81%
China - 57%
EUA - 45%
A pesquisa é divulgada no dia em que começa, em Copenhague, uma conferência da ONU que ambiciona avançar em direção a um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, de redução de emissões de gases que causam o efeito estufa. O acordo expira em 2012.

Sobre as estratégias a serem seguidas pelos chefes de Estado na conferência, a pesquisa apontou que 53% dos brasileiros querem que o país adote um papel de liderança para combater o problema o mais rápido possível – mas 12% dos brasileiros acham que o país não deve concordar com nenhum acordo internacional.

O percentual dos que se opõem a um acordo no Brasil, que se assemelha a níveis paquistaneses, só fica atrás da oposição nos EUA, onde 14% dos americanos se opõem a um acordo e 46% acham que o país deve assumir um papel de liderança.

O apoio é muito mais claro na Grã-Bretanha (62%), Canadá e Quênia (61%), França, Japão e Austrália (todos 57%).

A pesquisa também quis medir o apoio da opinião pública a iniciativas de combater a mudança climática, ainda que isso tenha um custo econômico.

Nesse quesito, os chineses se destacaram: 89% consideram que seu país deve fazer investimentos para combater a mudança climática, ainda que isso tenha um custo para a economia do país.

Oposição a acordo
EUA - 14%
Paquistão - 12%
Brasil - 12%
Alemanha - 1%
Itália - 2%
França - 2%
Chile - 2%

No Quênia (77%),
na França (75%),
no México (71%) e
na Grã-Bretanha (70%) .
Esse nível de apoio caiu no Brasil (62%) e, nos Estados Unidos (52%),
dividiu as opiniões quase ao meio.

Opinião e ação

Para o analista de América Latina da BBC, James Painter, “os resultados desta pesquisa estão em linha com os resultados de outras pesquisas recentes”.

Ele lembrou que o Brasil sempre ocupa um lugar elevado em relação à preocupação do clima, e que o México também sempre demonstrou disposição em agir para combater a mudança climática.

“Entretanto, uma coisa é que as pessoas expressem que isto ocorra. O que não sabemos é quantos estariam preparados para fazê-lo se isto fosse afetar os seus bolsos”, disse Painter.

Para o analista, o alto grau de conscientização latino-americano em relação à mudança climática pode ser explicado pelo destaque que o tema ganhou na imprensa regional, a forte presença de organismos e organizações ambientais nestes países, a ênfase que os governos colocam em políticas ambientais e os fenômenos climáticos – como secas e cheias fora de época – que aproximaram o problema dos latino-americanos.

Apoio a medidas custosas
China - 89%
Quênia - 77%
França - 75%
México - 71%
Grã-Bretanha - 70%
Austrália - 70%
Brasil - 62%
EUA - 52%

Entretanto, é preciso destacar que existem variações significativas entre os países latinoamericanos”, afirmou James Painter.

Não surpreende que a Costa Rica – que está na vanguarda das políticas verdes – manifeste um alto grau de preocupação. Mas se a pesquisa tivesse incluído o Peru, a Bolívia, o Paraguai ou o Equador, o índice de consciência ou preocupação com o tema poderia ter sido menor.

As entrevistas da pesquisa foram feitas entre os dias 19 de junho e 13 de outubro. Entre os brasileiros, o levantamento ouviu 835 pessoas entre 2 e 14 de julho em oito capitais de Estado.

Reunião do clima começa em meio a incerteza sobre acordo

ONU destacou número de emergentes com proposta de redução de CO2
O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, abriu a 15ª reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Copenhague dizendo que a reunião é uma "oportunidade que o mundo não pode se dar ao luxo de perder".
Perante representantes de 192 países, Rasmussen defendeu a necessidade de se chegar a um acordo "forte e ambicioso" definindo as diretrizes do combate ao aquecimento global que substituirão o Protocolo de Kyoto.
A reunião está prevista para durar duas semana, e a ideia é que se chegue a um acordo até o dia 18 de dezembro.
Mais de 15 mil pessoas devem passar pelo Bella Center. Cerca de cem líderes internacionais já confirmaram presença para os últimos dias do encontro, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da França, Nicolas Sarcozy, e outros das maiores potências mundiais.
No domingo, o secretário-geral da convenção da ONU para o clima, Yvo de Boer, disse à BBC que o encontro marca uma “virada” nos debates sobre o tema, dizendo estar mais otimista do que nunca por causa do número “sem precedentes” de propostas de países.

Boer e os mais otimistas ganharam um argumento a mais no domingo, com o anúncio da África do Sul de cortes de 34% nas suas emissões nos próximos dez anos. O plano prevê que os cortes atinjam um pico de 42% em 2025 e depois se estabilizem e comecem a cair.
A África do Sul foi o quarto país de economia emergente, depois do Brasil, da China e da Índia, a prometer cortes de emissões recentemente.
Os anúncios, entanto, por não representarem metas obrigatórias e, sim, voluntárias e não sujeitas à verificação pelo acordo, não resolvem um dos principais focos de divisão entre países ricos e em desenvolvimento.
As diferentes posições entre os dois grupos são apenas um dos assuntos que devem causar polêmica nestas próximas duas semanas.
O recente escândalo detonado pela publicação de milhares de arquivos e emails pessoais da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, também prometem aquecer as discussões.
Os emails, trocados por cientistas sobre como apresentar dados sobre o clima, vêm sendo usados como suposta prova de que as pesquisas sobre aquecimento global foram manipuladas.
Defesa do IPCC
Os chamados “céticos”, aqueles que discordam do consenso científico representado pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), usaram o material para fortalecer o argumento de que o aquecimento global é fruto de manipulação de dados.
No entanto, um comunicado do IPCC defendeu neste domingo os relatórios do grupo, afirmando que estão cientificamente corretos e que o aquecimento global é “inequívoco”.
Yvo de Boer também comentou o caso, dizendo não acreditar que exista qualquer outro processo “tão completo, tão detalhado” quanto o do IPCC.
Os cientistas do IPCC concluíram com 90% de probabilidade que o aquecimento do planeta provocado pela atividade humana foi de cerca de 0,7ºC.
Para que a temperatura da Terra não ultrapasse a barreira dos 2ºC, considerada “segura”, o IPCC recomendou que as emissões de gases que provocam o efeito estufa sejam reduzidas entre 25% e 40% (em comparação com 1990) até 2020.
Na reunião em Copenhague, representantes de 192 países vão tentar superar as diferenças para chegar a um acordo que estabeleça novos cortes obrigatórios de emissões para os países ricos e voluntários para os em desenvolvimento, além da provisão de fundos para adaptar os países mais pobres e vulneráveis às mudanças climáticas e financiar ações contra o desmatamento, responsável por entre 12% e 20% das emissões mundiais.

Meio Ambiente

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